Ver-te é todo o maior contentamento
De um coração que ao amor versos escreve...
Ver-te, assim, delicada, leve... leve...
Quase uma pluma no correr do vento.
Nos fluidos de ouro do meu pensamento
O sonho, por mais amplo, nem se atreve
A seguir-te de longe; e nem descreve
Da tua forma o alado movimento!...
Ver-te é todo o meu peito abrir-se em dias
De sol claro, flamando pedrarias,
Nos campos, pelas flores, pelas parras,
Pelo mar, pelos rios, pelas fontes,
Pelos azuis prismáticos dos montes,
E ouvir cantar as aves e as cigarras.