Bem velhinho que estás e ainda trabalhas tanto,
Com a rede pesada, às costas, noite e dia.
Mas, às vezes, recorda a tua rede um manto
De ouro, onde a vaga azul deixou sua ardentia.
Que riquezas no mar! Mas és pobre, entretanto!
Tens o peito cansado, e nenhuma alegria
Pela tua alma voa! E ali, naquele canto,
A tua casa lembra uma velha enxovia...
Tenho pena de ti, meu querido velhinho.
E quando vais descendo esse austero caminho,
E entras do largo mar na formidável lida,
Fico logo a cismar que bem igual a tua
Pesadíssima rede é a minha cruz, na rua
Dolorosa e sem fim das misérias da vida.