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1865–1927

Comparando

Juvêncio de Araújo Figueredo

Bem velhinho que estás e ainda trabalhas tanto, Com a rede pesada, às costas, noite e dia. Mas, às vezes, recorda a tua rede um manto De ouro, onde a vaga azul deixou sua ardentia.

Que riquezas no mar! Mas és pobre, entretanto! Tens o peito cansado, e nenhuma alegria Pela tua alma voa! E ali, naquele canto, A tua casa lembra uma velha enxovia...

Tenho pena de ti, meu querido velhinho. E quando vais descendo esse austero caminho, E entras do largo mar na formidável lida, Fico logo a cismar que bem igual a tua

Pesadíssima rede é a minha cruz, na rua Dolorosa e sem fim das misérias da vida.

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