Na praia triste, triste, um cemitério em ruínas.
Aqui, cruzes ao chão, caídas de cansaços;
E até, cruzes erguendo ao céu os frágeis braços,
Servindo-lhes de manto as frígidas neblinas.
À sombra do verdor das altas casuarinas,
E às vezes, pela luz dos mórbidos mormaços,
Rola a caveira branca; e, em largos estilhaços,
Bolam pela poeira as vértebras franzinas.
Plena desolação no antigo cemitério!
E o mocho cujo olhar é um fúnebre mistério,
Nem mora ali! Nem vai, ali, ninguém rezar!
Ah! triste esquecimento! Ah! triste esquecimento!
Entre as cruzes, porém, ouço rezar o vento,
E ouço rezar, na praia, a alma verde do mar!