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1865–1927

Cemitério em ruínas

Juvêncio de Araújo Figueredo

Na praia triste, triste, um cemitério em ruínas. Aqui, cruzes ao chão, caídas de cansaços; E até, cruzes erguendo ao céu os frágeis braços, Servindo-lhes de manto as frígidas neblinas.

À sombra do verdor das altas casuarinas, E às vezes, pela luz dos mórbidos mormaços, Rola a caveira branca; e, em largos estilhaços, Bolam pela poeira as vértebras franzinas.

Plena desolação no antigo cemitério! E o mocho cujo olhar é um fúnebre mistério, Nem mora ali! Nem vai, ali, ninguém rezar! Ah! triste esquecimento! Ah! triste esquecimento!

Entre as cruzes, porém, ouço rezar o vento, E ouço rezar, na praia, a alma verde do mar!

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