Rancho aberto, na praia. O clarão da alvorada
Dá-lhe às telhas uns tons levemente sombrios...
E já à porta está uma velha assentada,
Sem temer da invernia os bruscos arrepios.
Cose a rede que fora, à noite, arrebentada
Nas pedras onde o mar é todo corrupios.
E o marido descansa a alma fatigada,
E o corpo cujos pés estão murchos e frios.
O silêncio, em redor, tem eflúvios de prece...
E a velha que ali cose, uma santa parece;
E o homem lembra a vida inefável de um santo
E pelo dia afora e quando chega a noite,
E renasce a manhã, não há mal que os açoite,
E os faça derramar uma gota de pranto.