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1865–1927

Casal feliz

Juvêncio de Araújo Figueredo

Rancho aberto, na praia. O clarão da alvorada Dá-lhe às telhas uns tons levemente sombrios... E já à porta está uma velha assentada, Sem temer da invernia os bruscos arrepios.

Cose a rede que fora, à noite, arrebentada Nas pedras onde o mar é todo corrupios. E o marido descansa a alma fatigada, E o corpo cujos pés estão murchos e frios.

O silêncio, em redor, tem eflúvios de prece... E a velha que ali cose, uma santa parece; E o homem lembra a vida inefável de um santo E pelo dia afora e quando chega a noite,

E renasce a manhã, não há mal que os açoite, E os faça derramar uma gota de pranto.

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