Pobres não somos, na fatal desdita,
Embora falte o pão em nossa toalha,
E seja, a nossa vida, toda aflita
Como a de quem se vê numa batalha.
Pobres não somos, pois a luz bendita,
Que orvalha os campos de esmeralda, e orvalha
Todos os astros de ouro, da infinita
Plaga celeste, a sua bênção espalha...
Por nós espalha a sua bênção, em mantos
Que têm todos os fulgíssimos encantos
Da piedade, sobre as carnes frias...
Ah! se fôssemos pobres! (Negro inferno)
Eu não teria o teu amor eterno,
Nem tu, por certo, o meu amor terias.