Morta a ave querida, a idolatrada
Ave que sempre gorjeava à porta
Da nossa casa! Para sempre morta
Aquela que era uma ave imaculada!
A dor austera, a negra dor velada
Nas incertezas — essa dor que corta,
Certo a tua alma ansiosa não suporta...
Mas o que hás de fazer, mulher amada?
Como soluças! Como choras tanto!
Que plenilúnios! Que marés de pranto!
Desses olhos tristíssimos transvazas!
Mas não prossigas, para que a nossa
Filha, que é hoje uma ave alegre, possa
Voar, sem peso nas franzinas asas.