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1865–1927

Atração

Juvêncio de Araújo Figueredo

A tua boca rubra e o teu olhar tão belo! A tua boca mordo e em teu olhar me inflamo, Cheio de ânsias, febril, alma eivada de zelo, Porque te quero, assim, e te desejo e te amo.

É noite de veludo o teu lindo cabelo. Que de beijos estrelo e, abrasado, reclamo, Às vezes a sentir as torturas de Otelo, E outras vezes tão bom, que de ovelha me chamo.

E dessas mãos de jaspe os delicados dedos São as chaves leais dos múltiplos segredos Que guardo no meu peito, a formidáveis cunhas... E em cada dedo tens a atração misteriosa

De uma lua a crescer nas linhas cor de rosa Das conchas sensuais e brunidas das unhas

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