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1865–1927

Asa guiadora

Juvêncio de Araújo Figueredo

Maria, em troca dos meus tormentos Que são tão frios, que são tão frios, Iguais aos ventos em rodopios No mar do sul,

Dize, Maria, se eu nesse Azul Terei a graça de me encontrar Contigo, no mesmo Abrigo, Na do luar.

E se eu entrar no teu Abrigo, Na do luar, Terei a imensa felicidade De te beijar as mãos piedosas,

As mãos formosas, miraculosas, Muito mais plenas de castidade Do que as rosas? E se eu beijá-las

Encontrarei alívio a todos os meus prantos, E aos meus ais, que são tantos Como os grãos do areal da praia nua Por onde correm os vendavais?

Dizes que eu suba ao Bergantim da lua, Que é o teu bergantim de marfim, E não tema viajar por entre os sóis, E as formosas estrelas diamantinas,

Nas regiões divinas Onde existem milhares de faróis... Mas quem me estenderá A mão banhada de doçuras?

E quem me levará a essas grandes alturas Onde o teu bergantim de marfim Ao nosso olhar saudoso, esplêndido aparece? “— Busca

A asa amorosa, a asa feliz, a asa sagrada Da Prece Que é uma ave azul; E ela te levará aos longínquos espaços,

Na bendita cruzada, onde nada se ofusca, Porque Jesus lá está no Cruzeiro do Sul, E a todos abre os braços...” E por quem devo orar, sob o fulgor dessa asa

Guiadora, através dos longes infinitos? — “Ora pelos aflitos”.

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