Maria, em troca dos meus tormentos
Que são tão frios, que são tão frios,
Iguais aos ventos em rodopios
No mar do sul,
Dize, Maria, se eu nesse Azul
Terei a graça de me encontrar
Contigo, no mesmo Abrigo,
Na do luar.
E se eu entrar no teu Abrigo,
Na do luar,
Terei a imensa felicidade
De te beijar as mãos piedosas,
As mãos formosas, miraculosas,
Muito mais plenas de castidade
Do que as rosas?
E se eu beijá-las
Encontrarei alívio a todos os meus prantos,
E aos meus ais, que são tantos
Como os grãos do areal da praia nua
Por onde correm os vendavais?
Dizes que eu suba ao Bergantim da lua,
Que é o teu bergantim de marfim,
E não tema viajar por entre os sóis,
E as formosas estrelas diamantinas,
Nas regiões divinas
Onde existem milhares de faróis...
Mas quem me estenderá
A mão banhada de doçuras?
E quem me levará a essas grandes alturas
Onde o teu bergantim de marfim
Ao nosso olhar saudoso, esplêndido aparece?
“— Busca
A asa amorosa, a asa feliz, a asa sagrada
Da Prece
Que é uma ave azul;
E ela te levará aos longínquos espaços,
Na bendita cruzada, onde nada se ofusca,
Porque Jesus lá está no Cruzeiro do Sul,
E a todos abre os braços...”
E por quem devo orar, sob o fulgor dessa asa
Guiadora, através dos longes infinitos?
— “Ora pelos aflitos”.