Bem velhinho que estou, meus filhos, bem velhinho,
De cabeça nevada e passos vacilantes...
Mas a minha alma ainda é a mesma, no caminho
Da vida, sobre o qual há sombras torturantes...
Como outrora bebi, bebo seguido o vinho
Da alegria feliz e dos emocionantes
Sonhos que, em derredor de mim, são o carinho,
O afago, o bem estar e as bênçãos palpitantes.
Como outrora, a minha alma ainda vibra e se veste
Dos resedás em flor de um largo campo agreste;
E ainda canta, porque, dos sóis e do luar,
Deus aos ombros lhe estende a doçura de um manto,
E lhe dá, todo o instante, o fulgor sacrossanto
Das rimas a rolar na harpa verde do mar.