Longe um barco aparece, entre neblinas frias
De um pôr de sol de junho. E o mar recorda um rio,
De tão calmo que está. Nas praias alvadias
Corre um doce, um suave, um leve murmúrio.
Há fluidos de cristais por sobre as penedias...
O céu, quase sem luz, se arqueia ermo e sombrio,
Aves cruzam no espaço, ariscas, erradias...
E o vento vem chegando em brando rodopio.
“Vento, vinde trazer-me o barco mais depressa”
Diz Valésia na praia. E, célere, atravessa
Os cômoros, gritando, ardente de ansiedade.
E eu, que vinha chegando, em pé, no tombadilho,
Pude ver que não há faróis com tanto brilho
Como os olhos de quem espera com saudade.