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1865–1927

Ao meu coração

Juvêncio de Araújo Figueredo

Que um dia tombarás à sombra de um jazigo, Bem sei, meu coração. Saudoso tombarás. Da morte no regaço eterno, nesse abrigo De tudo quanto é sonho, ou convulsivos ais!

Mas tu, meu coração, sempre leal amigo Da eleita da tua alma ainda continuarás? Dela que te quer tanto e anda sempre contigo, Por estradas de sol, ou de trevas letais?

Calado ficarás, ao veres-me calado... Pois toda a tua essência há de ao céu constelado Evolar-se, sutil, em busca do Mistério... E se não fosse assim, que profunda agonia!

Chorarias por ela, aflito, noite e dia, Na atra desolação do frio cemitério.

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Ao meu coração · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove