Paira diante desse espelho de aço,
E olha os teus olhos ansiosos; e olha
Essa boca torcida de cansaço,
Cuja língua de tanto fel se molha...
Que o teu olhar, embora vivo, ou baço,
Ele que tantas lágrimas desfolha,
Em si recolha a dor, como um palhaço;
Recolha à dor a sua luz, recolha...
Que a tua dor, de uma alma amargurada,
Nesse espelho se veja assinalada,
Clara, flagrante, sem mentira fusca.
E dir-me-ás, então, triste criatura,
Se haverá mais fantástica tortura
Do que a de quem reconhecer-se busca...