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1865–1927

Ao espelho

Juvêncio de Araújo Figueredo

Paira diante desse espelho de aço, E olha os teus olhos ansiosos; e olha Essa boca torcida de cansaço, Cuja língua de tanto fel se molha...

Que o teu olhar, embora vivo, ou baço, Ele que tantas lágrimas desfolha, Em si recolha a dor, como um palhaço; Recolha à dor a sua luz, recolha...

Que a tua dor, de uma alma amargurada, Nesse espelho se veja assinalada, Clara, flagrante, sem mentira fusca. E dir-me-ás, então, triste criatura,

Se haverá mais fantástica tortura Do que a de quem reconhecer-se busca...

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Ao espelho · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove