Antônio, se me vires bem velhinho,
Com as passadas trêmulas, não deixa
O teu avô cair pelo caminho;
E ouve-lhe, neto, a sua triste queixa...
E eu velhinho já sou, tenho a madeixa
Toda tão branca como o próprio linho.
E quantas mágoas a minh’alma enfeixa,
Como o rosário azul de um capuchinho.
E se eu chegar a ter oitenta anos,
Nessa quadra terás apenas vinte,
E ainda por ti, meu neto, os desenganos
Passado não terão. Por isso, quando
Eu os anseios últimos te pinte,
Irás entre os teus braços me amparando.