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1865–1927

Antes morrer

Juvêncio de Araújo Figueredo

Que a paz dos altos céus estrelados te venha A alma aflita buscar, é o meu maior desejo... A alma dentro da qual a mágoa se desenha Como na escuridão a nódoa de um lampejo.

Trezentos e sessenta e seis degraus da Penha São os dias por ti sempre contados! Vejo Sem pão a tua mesa; e o teu fogão sem lenha, Enquanto muitos pães no mundo há de sobejo!

Desde o dia em que o mar, que é sempre austero e forte, Chamou o teu marido aos mistérios da morte, Tua vida tem sido uma eterna invernia... E o que responde o luar, quando triste lhe falas?

“Nada, nada responde”. E quando então te calas? “Sacode ao meu silêncio uns risos de ironia”

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Antes morrer · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove