Que a paz dos altos céus estrelados te venha
A alma aflita buscar, é o meu maior desejo...
A alma dentro da qual a mágoa se desenha
Como na escuridão a nódoa de um lampejo.
Trezentos e sessenta e seis degraus da Penha
São os dias por ti sempre contados! Vejo
Sem pão a tua mesa; e o teu fogão sem lenha,
Enquanto muitos pães no mundo há de sobejo!
Desde o dia em que o mar, que é sempre austero e forte,
Chamou o teu marido aos mistérios da morte,
Tua vida tem sido uma eterna invernia...
E o que responde o luar, quando triste lhe falas?
“Nada, nada responde”. E quando então te calas?
“Sacode ao meu silêncio uns risos de ironia”