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1865–1927

Amortalhada

Juvêncio de Araújo Figueredo

Ela nasceu em julho. E que frio fazia! Lá fora, o vento sul as vagas encrespava... Mas, a nossa filhinha, entre painas dormia Tranquilamente, assim... e, sorrindo, sonhava.

E com quem nossa filha amada sonharia? Sabe-o Deus, pois alguém das nuvens a espreitava, Enquanto o vento sul lá por fora bramia, E o nosso coração no seu berço cantava.

Mas seis meses, depois, por uma linda tarde Em que o querido sol com mais flamâncias arde, Dos olhos de Zarina os místicos fulgores Fugiram para sempre... E, agora, ei-la num leito,

De espada ao coração e mãos em cruz no peito, A lembrar, nossa filha, a Senhora das Dores!

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Amortalhada · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove