Para andarmos assim, os dois, unidos,
Quer faça sol de inverno, ou sol de estio,
É que fomos, ó meu amor, descidos
A este da dor tantalizado rio.
Andemos, pois, no mundo, convencidos
Que tudo que, em macabro rodopio,
Anda em roda de nós, ruge gemidos,
Como esses ventos de um luar doentio.
Mas não importa que tudo isso seja;
E o próprio sol do estio de nós fuja,
Ou que vejamos esse sol de inverno
Afastado de nós, como uma sombra...
Basta do sonho a carinhosa alfombra;
Basta, na nossa estrada, o amor eterno.