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1865–1927

Amigos

Juvêncio de Araújo Figueredo

Morto de fome, embora, um negro cão felpudo, Era, do velho Antônio, a melhor companhia. Dava-lhe o cão amigo afagos de veludo, E os espirituais eflúvios da alegria.

Quando a tarde formosa espalhava por tudo A floração da luz, numa perene orgia, Num destino fatal, o magro cão, sisudo, Unido ao velho, a estrada inteira percorria.

Na taverna da praia, o velho se embriagava De urna maneira tal, que junto ao mar ficava, Ao comprido na areia, ao comprido no chão... E a noite chegou, coberta de lestada.

Em que o velho, ao morrer, nessa praia isolada, Viu ungi-lo de afago o carinhoso cão.

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