Morto de fome, embora, um negro cão felpudo,
Era, do velho Antônio, a melhor companhia.
Dava-lhe o cão amigo afagos de veludo,
E os espirituais eflúvios da alegria.
Quando a tarde formosa espalhava por tudo
A floração da luz, numa perene orgia,
Num destino fatal, o magro cão, sisudo,
Unido ao velho, a estrada inteira percorria.
Na taverna da praia, o velho se embriagava
De urna maneira tal, que junto ao mar ficava,
Ao comprido na areia, ao comprido no chão...
E a noite chegou, coberta de lestada.
Em que o velho, ao morrer, nessa praia isolada,
Viu ungi-lo de afago o carinhoso cão.