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1865–1927

Amarga ironia

Juvêncio de Araújo Figueredo

Eis-me junto de um túmulo fechado, Onde reclino a fronte quase fria. Quero escutar, digo eu, a litania De um coração que aqui jaz enterrado.

Nisso, de dentro, parte um som magoado, De uma profunda e vaga nostalgia. Quem és? E o som responde-me: — Maria, A tua filha, o teu amor sonhado!

Um frio, então, tragicamente horrendo, Passa-me os ossos; e me vai roendo As carnes que afinal se espedaçavam! Mas fiquei por saber se o som tristonho

Era o dessa ovelhinha, n’algum sonho, Ou era o dos vermes que de mim zombavam!

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