Fugi alucinado, e amaldiçoei a vida
De um pobre coração emparedado numa
Ânsia eterna de amor sem paz, e sem guarida,
Como por sobre a vaga o lírio de uma espuma.
E fugi a correr, em fúria desabrida,
Por uma praia triste; e fui a um monte... Em suma
De lá de cima olhei uma estrada comprida,
Sem cor, sem flor, sem luz, sem claridade alguma.
Mas, parado, depois de andar convulsamente,
Do tédio arremessado à tortura inclemente,
Madruguei, afinal, num campo solitário.
E só retrocedi, ao contínuo chamado
Da tua voz febril, que ecoara ao meu lado,
Através das canções saudosas de um canário.