Ruge, brame, blasfema, dize as cousas
Mais pesadas que as pedras dos caminhos,
Ou leves, leves como as mariposas,
E as aladas carícias dos arminhos.
Levanta, ou fecha, ao mesmo tempo, as lousas
Onde dormem crianças e velhinhos...
Alma inimiga, que jamais repousa,
Transforma em fel até os próprios vinhos,
Faze tudo, portanto, o que quiseres,
Contra os homens, também contra as mulheres;
Contra as flores e as aves do verão...
Mas não me queiras afastar do sonho
Dentro do qual, em êxtase, deponho
A hóstia branca e sublime do perdão.