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1865–1927

Alma errante

Juvêncio de Araújo Figueredo

Erra, de praia em praia, entre as frias neblinas Das noites hibernais, vulto desconhecido, Cujas passadas têm, pelas areias finas, Um brusco, desolante e macabro ruído.

Treme a gente que o vê, alma errando em ruínas, Em convulsões de dor, num contínuo gemido, Blasfemando, feroz, às estrelas divinas, E às orações do amor fechando o próprio ouvido.

Pensam ser o José, que, nas praias, em fora, Jamais teve uma fé, e desespera, agora, Procurando a mulher que, certa vez, ao luar, Numa violência atroz, horrivelmente crua,

Mais branco que o cutelo impassível da lua, Atirara, enciumado, aos segredos do mar.

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Alma errante · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove