Erra, de praia em praia, entre as frias neblinas
Das noites hibernais, vulto desconhecido,
Cujas passadas têm, pelas areias finas,
Um brusco, desolante e macabro ruído.
Treme a gente que o vê, alma errando em ruínas,
Em convulsões de dor, num contínuo gemido,
Blasfemando, feroz, às estrelas divinas,
E às orações do amor fechando o próprio ouvido.
Pensam ser o José, que, nas praias, em fora,
Jamais teve uma fé, e desespera, agora,
Procurando a mulher que, certa vez, ao luar,
Numa violência atroz, horrivelmente crua,
Mais branco que o cutelo impassível da lua,
Atirara, enciumado, aos segredos do mar.