Dobra o sino da ermida, e a sua voz plangente
Erra, saudosamente, ao longo das quebradas.
Vê-se, de lado a lado, uma porção de gente.
E as aves, pelo mar, são asas assustadas.
Quem morreria ali? Naquele rancho, rente
Ao rochedo, onde estão as canoas puxadas,
Acaba de morrer o velhinho Clemente,
O melhor pescador desde as eras passadas.
E, ao morrer, disse à esposa, à fiel companheira,
Que se achava chorando à sua cabeceira:
“Como me sinto bem depois de confessado!”
Confessara-se o velho (Alma límpida, franca)
Ao mar, que de onda em onda, em plena praia branca,
Orava ao sol, orava ao céu, sempre ajoelhado.