Dormias nessa praia, assim, como ninguém
Dorme em brancos lençóis cheirando a cardamomo.
Ora, quanto carinho e quanto afago tem
A praia, quando o luar surge num vivo assomo!
E sonhavas talvez, sem fadigas e sem
Tristes lamentações. Sempre sonhavas como
Todo aquele que espalha as sementes do bem,
E colhe desse bem o prometido pomo.
O teu leito era a praia; e o travesseiro, a espuma;
E o teu fresco lençol, a escumilha da bruma;
E o teu teto bendito, a curva dos espaços...
E agora, que morreste, ainda estarás dormindo?
Aonde estarás sonhando? E aonde estará florindo
A tua alma de Jó, tão cheia de cansaços?