Na tua boca há vagos marulhejos
De violinos vibrados na quietude
Abençoada e sã dos lugarejos,
Onde tudo palpita de saúde.
Na tua boca o roseiral dos beijos
Espalha o pólen de ouro da virtude,
E pairam cantos, diáfanos adejos
De risos que jamais contá-los pude.
Boca formosa, de dourados favos;
A tua boca embriaga e faz escravos
Os rudes corações, por mais insanos...
E lembra, faz lembrar a água corrente,
À flor da terra, embora ao sol ardente,
Numa jornada de esquecidos anos.