Para a luz dos teus olhos corro aflito;
Corro nas ondas das profundas mágoas,
Como corri nas torturosas águas
Do mar, de encontro às rochas de granito.
Gemo, anseio, soluço, choro e grito...
E como o triste náufrago, nas fráguas,
Essas ânsias revejo; na alma trago-as,
Sob a mudez sombria do infinito.
Mas, ao correr à luz de uns olhos belos
Quais são os teus, percebo-lhe os desvelos;
Busco-lhe a meiga e clara suavidade,
Bem como se eu de novo naufragasse,
E ao sol pedisse a luz, que me amparasse
O peito, as mãos, e os pés, por caridade.