O que é triste me atrai; o que é triste me chama;
E então pela tristeza os sonhos vou gozando.
Nos brumais da tristeza a alma sinto cantando:
— Ave em busca da luz meiga que o azul inflama.
O que é triste me atrai, e em minha alma derrama
Vinhos de almo frescor. E em vez de ir tateando,
Pela tristeza, vou, serenamente andando,
Como quem anda, altivo, à conquista da fama.
A tristeza é o meu bem; é o meu eterno encanto;
É o meu dia feliz; é o meu fúlgido manto;
É tudo quanto aspiro; é tudo quanto adoro...
E é na tristeza em fel, do meu amigo — o Tédio,
Que eu busco para a vida o supremo remédio,
Principalmente quando anseio, ou quando choro.