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1865–1927

Abismo

Juvêncio de Araújo Figueredo

O que é triste me atrai; o que é triste me chama; E então pela tristeza os sonhos vou gozando. Nos brumais da tristeza a alma sinto cantando: — Ave em busca da luz meiga que o azul inflama.

O que é triste me atrai, e em minha alma derrama Vinhos de almo frescor. E em vez de ir tateando, Pela tristeza, vou, serenamente andando, Como quem anda, altivo, à conquista da fama.

A tristeza é o meu bem; é o meu eterno encanto; É o meu dia feliz; é o meu fúlgido manto; É tudo quanto aspiro; é tudo quanto adoro... E é na tristeza em fel, do meu amigo — o Tédio,

Que eu busco para a vida o supremo remédio, Principalmente quando anseio, ou quando choro.

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