Cada vaga coleava a laia de serpente
De áurea escama, a luzir nos flancos do rochedo,
Na imensa praia triste! E o sol, topázio ardente,
Desenhava clarões nas folhas do arvoredo!
E eu corria num barco, afoito e sorridente:
Alma aberta, sem susto, afastada do medo;
Eis quando uma rajada, um látego veemente,
Me atira desse mar ao trágico segredo!
Mas só tu, meu amor, nessa hora, me amparaste,
No fundo desse mar e de lá me arrancaste...
Pois ali quanta gente à morte não se esquiva!
Pude então ver no teu olhar que tudo aquece
Quanto vale o ter fé nas asas de uma prece
Que assim me socorreu nessa luta aflitiva...