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1865–1927

À nossa espera

Juvêncio de Araújo Figueredo

Da tua casa humilde, onde ao beiral trinavam Canários de asas de ouro, ainda sinto saudade! Que aromas os rosais das cercas evolavam! Que formosas manhãs! Que sol! Que alacridade!

Ali, dois corações no mesmo amor sonhavam. Duas almas, ali, cheias de virgindade, Viviam para o bem e todo o bem gozavam... E não há bem maior do que a mocidade!

Mas hoje, a tua casa, amor, já não existe; Tudo, tudo por terra... E o campo, morto e triste! Menos o laranjal, que em plena primavera, Na alva fita da praia, em flor, de lado a lado,

Nos sorri benfazejo, evocando o passado, Como um leito feliz, Maria, à nossa espera!

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