Tudo, ao soar das doze badaladas,
Tudo emudece: — o mar, o campo, o rio...
Ficam, na noite, as árvores, caladas;
Nem há no espaço um leve murmúrio.
Unidas ficam as aves, sossegadas.
Como se houvesse um formidável frio!
E as almas ficam como que apagadas,
Num sentimento trágico e sombrio.
É meia-noite! O espírito das cousas
Dorme na densa solidão das lousas,
Dorme sinistramente, no momento
Em que por sobre o mundo nos parece
Descer, como de fato, desce... desce...
Dos céus um fundo e amargo esquecimento.