A lua será mesmo um sacrário adorado,
Com portas de marfim, cheio de álacres festas
Da Eucaristia, para as almas sãs, modestas,
Para as que rezam sob o Pálio Constelado?
E essas almas irão, num desejo inflamado
Como águias imortais a essas plagas, que arestas
De luz banham, num Céu transformado em florestas,
Onde em Jordãos de Amor, o sonho é batizado?
Quantas vezes, porém, a branca lua assiste
Indiferentemente à tragédia mais triste,
Cobrindo de desdém as almas torturadas!
Sobre as ondas do mar evoquei-a, chorando...
E, nessa noite, a lua era um barco viajando,
Transbordante o porão de trágicas ossadas...