Percorro o mundo, vagarosamente;
Negra, sombria, trágica e velada.
Sou, às vezes, a tétrica serpente,
No alvo vale de uns seios enroscada.
Outras vezes, porém, sou a fulgente
E aterradora lâmina afiada
De um punhal; outras vezes, o inclemente
Fel, numa beca assaz imaculada.
Afastai-vos de mim... Mas de que jeito, e como
Se os corações na terra inteira domo;
Se percorro do mar todos os portos?
Se ninguém sabe, como eu sei, na terra,
Viver? Quem mais do que eu a força encerra?
Persigo os vivos e persigo os mortos...