Noite de junho. O gelo é vidro em pó, roçando
As mãos e os pés dos que, distendidos na areia,
Tranquilamente estão o café esperando,
E esperando a tainha assada para a ceia.
Outros, de uma canoa as velas vão soltando,
Sem perda de um momento, à luz da lua cheia,
Que tão aziaga está... E as ondas vão rolando...
E cada pescador, nessa labuta, anseia...
Correm todos ao mar, satisfeitos, felizes,
Sem nutrirem do mal as trágicas raízes,
Apenas da saudade envolvidos nas mágoas.
E que funda saudade, a dessas almas francas,
Sob as velas em cruz, as grandes velas brancas,
Da canoa que lembra uma ave à flor das águas...