Era a Estátua da Mágoa essa linda criatura,
Transfigurada assim numa dor eternal,
Do rochedo fitava a infinita planura
Do mar que se estendia em flores de rosal.
Aninhando no peito a triste noite escura
De uma notícia atroz, para sempre fatal,
Continuava Leonor na mesma compostura,
Como se a inanimasse a atra sombra do mal.
Nutria n’alma aflita assíduo pensamento:
“Há de acalmar o mar... há de acalmar o vento...
O meu filho é o melhor tanoeiro do lugar.”
Mas o filho não veio. As ondas o tragaram.
Ai! quantos corações junto ao dela choraram!
Só não chorou o vento e não chorou o mar!