Tarde. Vento geral. De velas enfunadas,
O brigue Santa Rosa abre no chão das vagas
Longos sulcos azuis, de onde brotam nevadas
Rosas brancas, de espuma, a resplender nas fragas.
Por semanas a fio, as céleres rajadas
Do sul hão de levá-lo a sonhadoras plagas,
Sob dias de sol e noites estreladas,
Sem as ânsias cruéis das horas aziagas.
Mas, quem vai para o mar, quem da praia se afasta,
Embora peito afoito, um sentimento arrasta:
Leva no coração uns gritos de ansiedade...
E os que ficam na praia? Os que na praia ficam
Choram... Mas, afinal, na dor se purificam...
É que a esperança mora onde mora a saudade.