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1865–1927

A esperança

Juvêncio de Araújo Figueredo

Tarde. Vento geral. De velas enfunadas, O brigue Santa Rosa abre no chão das vagas Longos sulcos azuis, de onde brotam nevadas Rosas brancas, de espuma, a resplender nas fragas.

Por semanas a fio, as céleres rajadas Do sul hão de levá-lo a sonhadoras plagas, Sob dias de sol e noites estreladas, Sem as ânsias cruéis das horas aziagas.

Mas, quem vai para o mar, quem da praia se afasta, Embora peito afoito, um sentimento arrasta: Leva no coração uns gritos de ansiedade... E os que ficam na praia? Os que na praia ficam

Choram... Mas, afinal, na dor se purificam... É que a esperança mora onde mora a saudade.

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