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1820–1905

XIV

José Joaquim Correia de Almeida

Por tralhas ou por malhas Alcançou um lugar no parlamento Néscio que come palhas, Ao paladar idôneo mantimento.

Refervem os projetos Com p’rigo de explosão, dentro do casco; Fala em muitos objetos, Despreza alguns apartes e algum chasco.

Já trazia de orelha Discurso de encomenda para a estreia, Papagaio semelha, Que diz e do que diz não tem ideia.

De espírito bem fraco, De um ar menos garboso e estilo feio, Arremeda o macaco, Hediondo macaco no meneio.

Na antessala transige, Pede um favor exemplo de registro, Para um irmão exige Despacho que depende do Ministro.

Se este concede a causa, Bem mostra o deputado o fio ao pano, E até impudente ousa Louvar esse caráter Espartano.

Se o Ministro recusa Anuir ao pedido, ele se afasta, E formalmente o acusa De indigno de ocupar aquela pasta.

Não sei se devo pô-lo, Depois que tenho feito este retrato, Como ladino ou tolo?! É esperto de esperteza só de rato.

Tem desse bicho o instinto, Pois o rato não pensa nem discute, E o meu herói distinto Não o excede, por mais que se repute.

Se trata da barriga Este nobre e eloquente Deputado, Estúpido é quem briga Sustentando o velhaco aparvalhado.

o eleito e os eleitores, Estólidos de espécies diferentes, Aos rufos de tambores, Recebam continências e patentes.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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