Por tralhas ou por malhas
Alcançou um lugar no parlamento
Néscio que come palhas,
Ao paladar idôneo mantimento.
Refervem os projetos
Com p’rigo de explosão, dentro do casco;
Fala em muitos objetos,
Despreza alguns apartes e algum chasco.
Já trazia de orelha
Discurso de encomenda para a estreia,
Papagaio semelha,
Que diz e do que diz não tem ideia.
De espírito bem fraco,
De um ar menos garboso e estilo feio,
Arremeda o macaco,
Hediondo macaco no meneio.
Na antessala transige,
Pede um favor exemplo de registro,
Para um irmão exige
Despacho que depende do Ministro.
Se este concede a causa,
Bem mostra o deputado o fio ao pano,
E até impudente ousa
Louvar esse caráter Espartano.
Se o Ministro recusa
Anuir ao pedido, ele se afasta,
E formalmente o acusa
De indigno de ocupar aquela pasta.
Não sei se devo pô-lo,
Depois que tenho feito este retrato,
Como ladino ou tolo?!
É esperto de esperteza só de rato.
Tem desse bicho o instinto,
Pois o rato não pensa nem discute,
E o meu herói distinto
Não o excede, por mais que se repute.
Se trata da barriga
Este nobre e eloquente Deputado,
Estúpido é quem briga
Sustentando o velhaco aparvalhado.
o eleito e os eleitores,
Estólidos de espécies diferentes,
Aos rufos de tambores,
Recebam continências e patentes.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.