Humilde sacerdote,
Assíduo folheador do breviário,
Sabe evitar o bote,
Por mais que o mau espírito prepare-o.
Vira as costas ao mundo,
Porque o mundo falaz também virou-lhas;
Crava em si o injucundo
Cilício que no ventre lhe faz bolhas.
Junta provas e abonos,
Luvas de ouro, e não luvas de camurça
Promete a seus patronos,
Se a graça lhe conseguem de uma murça.
O tal desideratum
Enfim tem alcançado o meu bom padre,
E aceita o consumatum,
Diverso do que entende a Santa Madre.
Ei-lo todo vermelho
Nos forros, alamares, e nas orlas;
Cai-lhe até o joelho
Um cacho pesadíssimo de borlas.
Arregaça a batina,
Mostrando as meias rubras mostra a perna,
Com liturgia latina
Salmos entoa à glória sempiterna.
Tu, padre, que confundes
As mundanas vaidades e o memento,
Reza teu — De profundis —,
E sejas capelão do regimento.
Cobre tua coroa
De raso solidéu, deixa o barrete;
Caridoso perdoa
Do audaz Garrett o crítico motete.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.