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1820–1905

XIII

José Joaquim Correia de Almeida

Humilde sacerdote, Assíduo folheador do breviário, Sabe evitar o bote, Por mais que o mau espírito prepare-o.

Vira as costas ao mundo, Porque o mundo falaz também virou-lhas; Crava em si o injucundo Cilício que no ventre lhe faz bolhas.

Junta provas e abonos, Luvas de ouro, e não luvas de camurça Promete a seus patronos, Se a graça lhe conseguem de uma murça.

O tal desideratum Enfim tem alcançado o meu bom padre, E aceita o consumatum, Diverso do que entende a Santa Madre.

Ei-lo todo vermelho Nos forros, alamares, e nas orlas; Cai-lhe até o joelho Um cacho pesadíssimo de borlas.

Arregaça a batina, Mostrando as meias rubras mostra a perna, Com liturgia latina Salmos entoa à glória sempiterna.

Tu, padre, que confundes As mundanas vaidades e o memento, Reza teu — De profundis —, E sejas capelão do regimento.

Cobre tua coroa De raso solidéu, deixa o barrete; Caridoso perdoa Do audaz Garrett o crítico motete.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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