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1820–1905

XIII

José Joaquim Correia de Almeida

Já descansei, companheiro, Prossigo da mesma forma, E tua atenção requeiro De novo para a reforma.

Avante, leitor, avante; Quem nos diz, e dá penhores, Que a sessão não se levante Por falta dos meus senhores?!

Se há questão de morte e vida, E o país inteiro treme, O Carceler os convida Para um sorvete de creme!

Este fofo aristocrata, Todo fitas, todo arminho, É digno da alcunha grata De — Vidraça-de-almarinho.

Este leu a enciclopédia, E quer ser sábio na casa; Se eu escrevera comédia, O chamara — Tábua-rasa.

Este giboso carrega Imposições sobre o pelo, Merece-o bem, se lhe pega O apelido de — Camelo.

Se quando o adversário fala, Com torpezas este o ataca, Porque no efeito a iguala, Se chame — Jaraticaca.

Este que aturde os ouvidos, E agudos guinchos pro longa, Por usar de sustenidos Tenha o nome de — Araponga.

Aquele é um, e apresenta Duas caras bem distintas; O nome pois que lhe assenta É o de — Jano-troca-tintas.

O moralista suave Que ali vês tão sem arrufo, Pelo seu aspecto grave, Denomine-se — Tartufo.

Se este humilde cumpre uma ordem Quando Júpiter procure-o, Os detratores que o mordem O respeitem por — Mercúrio.

Do ministro Dom Quixote Se este é pajem, da papança O ministro não enxote O seu fiel — Sancho-pança.

Este, que do alto esclarece A falange que o apoia, A alcunha ilustre merece De — Eminente Claraboia.

Se é quem discussões encerra Este bom filho da folha, Acredito que não se erra Em dar-lhe o nome de — Rolha.

Por lembrar tal personagem, Omito ideias não poucas, Seja o silêncio homenagem Ao mui digno — Tapa-bocas.

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