Ancião que já conta
Setenta, oitenta ou mais algum Janeiro,
Ao cabelo que aponta
Esfrega os negros pós de sapateiro.
Mas renova-se a alvura,
E o velho que está próximo da campa
E desce à sepultura
Semelha um animal de raça pampa.
Quão dignas de respeito
São as cãs do enrugado octogenário!
O amigo do direito
Ao fátuo que se pinta não compare-o.
Pois este quando sua,
Escorre-lhe a fuligem pelo rosto,
E o mandam à tabua
As moças em que as vistas tinha posto.
A um tal cupido velho,
Figura por demais carnavalesca,
Dou gratuito conselho
De agregar-se à infinita soldadesca.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.