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1820–1905

X

José Joaquim Correia de Almeida

É homem de cidade Aquele que ali vês, limpando o fato; Posto que não lhe agrade, O verniz enlameia do sapato,

É que ele não se ajeita Às perneiras de mal curtido couro, E indócil não aceita Costumes que lhe trazem o desdouro.

Mil grandezas da corte Exalta e eleva aos dous cornos da lua, E não duvida pôr-te De rastos da amargura pela rua.

Atira-nos à face As faltas que descobre em nossa casa, Nada vê que o não mace, E, língua viperina, tudo arrasa.

Candura e singeleza Que ao bom provinciano aumenta o brilho Desdenha e menospreza O que só tem de corte o ser casquilho.

Põe-se do espelho em frente, De puro macáçar unta as guedelhas E alisa docemente Espessas e arqueadas sobrancelhas.

Porém que vale o asseio, Tanto esmero na untura do cabelo, Se o petit-maitre é meio, Quero dizer, pedaço de camelo?

Dos ditos que profere Não se tira um bom mote que se glose, Daí ninguém espere De máxima ou sentença a menor dose.

Portanto está no caso De tomar-se um audaz cabo de esquadra, Que estulto deixe raso Aquilo que entre nós lhe bem não quadra.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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