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1820–1905

VIII

José Joaquim Correia de Almeida

Numa eleição de aldeia Prestante cidadão pedincha os votos, Serviços alardeia, Que só lhe negam vesgos e canhotos.

Um rival lhe disputa, E contesta o direito que o abriga, Trava-se enfim a luta, E a plebe generosa a peito briga.

Porém quanto ela ganha Nesta guerra cruel de candidatos? Quanto lucra na sanha Que a leva a praticar mil desacatos?

Debalde se inimiza, E só por escolher outros senhores, Sem distinta baliza, Sem haver diferença nas tais cores.

Da eleição os atletas Que sabem esgrimir por cousa pouca Inscrevam-se patetas Na turma pertinaz da gente louca.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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