Numa eleição de aldeia
Prestante cidadão pedincha os votos,
Serviços alardeia,
Que só lhe negam vesgos e canhotos.
Um rival lhe disputa,
E contesta o direito que o abriga,
Trava-se enfim a luta,
E a plebe generosa a peito briga.
Porém quanto ela ganha
Nesta guerra cruel de candidatos?
Quanto lucra na sanha
Que a leva a praticar mil desacatos?
Debalde se inimiza,
E só por escolher outros senhores,
Sem distinta baliza,
Sem haver diferença nas tais cores.
Da eleição os atletas
Que sabem esgrimir por cousa pouca
Inscrevam-se patetas
Na turma pertinaz da gente louca.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.