Quer dançar dez quadrilhas
Este moço, e por isso enfia as luvas;
Faz comprimento às filhas,
E às mães que são casadas ou viúvas.
Tanta pilhéria e chiste
O cortês cavalheiro então vomita,
Que tu inda não viste
No falar tanta pérola bonita.
Tudo, tudo é dislate,
E tudo heterogêneo paradoxo,
E vê que não te mate
O riso, que abafado te faz roxo.
No ligeiro intervalo
Da monótona insulsa contradança
É um ótimo regalo
Escutar dos diálogos a trança.
Ele pergunta à dama
Se não sabe nadar, se não tem calma,
Se é verdade que o ama,
Se no altar de Himeneu quer dar-lhe a palma.
Quando ela vai sentar-se,
Ele oferta-lhe um cálice de vinho,
E não pode fartar-se
Tragando airoso o último restinho.
Bebendo assim, deseja
Descobrir deste modo algum segredo,
Ainda que bem veja
Que o lindo par não tem de que ter medo.
Com cara de fuinha
De sério se reveste, se apavona,
Chama à filha — Doninha —
À mãe da pobre moça — Bela dona.
De espíritos tão finos
Se do baile os salões têm provimento,
Tais parvos genuínos
Se alistem no infinito regimento.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.