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1820–1905

VII

José Joaquim Correia de Almeida

Quer dançar dez quadrilhas Este moço, e por isso enfia as luvas; Faz comprimento às filhas, E às mães que são casadas ou viúvas.

Tanta pilhéria e chiste O cortês cavalheiro então vomita, Que tu inda não viste No falar tanta pérola bonita.

Tudo, tudo é dislate, E tudo heterogêneo paradoxo, E vê que não te mate O riso, que abafado te faz roxo.

No ligeiro intervalo Da monótona insulsa contradança É um ótimo regalo Escutar dos diálogos a trança.

Ele pergunta à dama Se não sabe nadar, se não tem calma, Se é verdade que o ama, Se no altar de Himeneu quer dar-lhe a palma.

Quando ela vai sentar-se, Ele oferta-lhe um cálice de vinho, E não pode fartar-se Tragando airoso o último restinho.

Bebendo assim, deseja Descobrir deste modo algum segredo, Ainda que bem veja Que o lindo par não tem de que ter medo.

Com cara de fuinha De sério se reveste, se apavona, Chama à filha — Doninha — À mãe da pobre moça — Bela dona.

De espíritos tão finos Se do baile os salões têm provimento, Tais parvos genuínos Se alistem no infinito regimento.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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VII · José Joaquim Correia de Almeida · Poetry Cove