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1820–1905

V

José Joaquim Correia de Almeida

Inda declino outros nomes, Quem se ofender com isto, erra; A carapuça não tomes, Há mais Marias na terra.

Se esta razão é tão justa, Não me calo, nem amuo, Visto que ninguém se assusta, A demonstrar continuo.

Compadre José da Costa Não sofre de ondas afronta, Porque do sertão mais gosta, E seus dias aí conta.

Em Baependi aparece Um ancião chamado Guerra, De mais paz não se conhece Outro nessa boa terra.

Um assíduo navegante, Que neste porto mal fica, Tem a ideia extravagante De apelidar-se Benfica.

Sedentário é o Peregrino, Da pátria nunca está fora; Consta que desde menino Mora na casa em que mora.

Como pode o Figueiredo, Tendo broca, dar bons figos? Que os não dará, eu sem medo Afianço a seus amigos.

Um Luz mestre se nomeia, E é na lição tão seguro, Que a matéria não clareia, Deixando tudo no escuro.

O Veríssimo é tão vário Que, se as palavras lhe sondas, Acharás que ele é o contrário Do Tebano Epaminondas.

Um que Leão se apelida, Sem nobreza, vendo em terra Sua vítima caída, Ainda o dente lhe aferra.

Denomina-se Messias Certo moço, e, apesar disto, Não conheço nestes dias Mor inimigo de Cristo.

Um Salvador vejo algures, Mas não vejo em que ele o fosse; Pois, por mais que tu procures, Não saberás quem salvou-se.

De um tal Pio na doutrina Será bom que não te inspires, De piedade tem mina, De louça que nem um pires.

Do meu bom amigo Santos, Não digo por menoscabo, Os feitos são outros tantos Artifícios do diabo.

O crioulo Benedito Reage com tal excesso, Que às vezes té acredito Que o crioulo está possesso.

É pobretão um Ricardo, Embora rico aparente; Eu já vi Albino pardo, E um Primo sem ser parente.

Justificando a reforma Que tenho em vista, quis antes Apresentar desta forma Estes exemplos frisantes.

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