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1820–1905

UMA NECROLOGIA

José Joaquim Correia de Almeida

Chegando o correio Desprendo as cruzetas, Confronto as mentiras De nossas gazetas.

A tarja de luto À vista me ocorre, E a epígrafe leio — O justo não morre! —

A tese me instiga, Perpasso este assunto, E enfim me convenço De haver um defunto.

E foi a matéria Tão mal resolvida, Que bem se confunde A eterna e esta vida.

Então fiz comigo Em meu pensamento Da lógica filho Seguinte argumento:

Se o justo não morre, E este homem morrera, Conclui-se portanto Que justo não era.

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