“Forte pena! Coitado!
Ainda ontem tão são,
Hoje às portas da morte
Pedindo Santa Unção!
Um ataque terrível!
Não pôde suportar,
Caiu prostrado em terra,
Está para expirar!
Tudo anda azul em casa.
Coitado! morre o homem!
Chamem quarenta médicos,
Que o fraco pulso tomem.”
A azáfama referve
Pedindo trinta seges,
Para buscar auxílio
Neste país de hereges.
Finalmente aparece
Um médico vizinho;
“Senhor Doutor, acuda,
Que pena! Coitadinho!”
E o doutor toma o pulso
E examina o doente...
“Sossegue, não é nada;
Sossegue, boa gente.”
“Será, senhor doutor,
Pergunta uma voz,
Um ataque de gota
Que neste estado o pôs?
Será, Senhor Doutor,
A mandinga ou feitiço?
Refira, não oculte;
Diga, diga o que é isso.”
“Não é, responde o médico,
Feitiço, nem mandinga:
Nem julgo mal de gota;
Parece mal de pinga.”