Skip to content
1820–1905

TESTAMENTO SOLENE

José Joaquim Correia de Almeida

Em nome do triste fado, Em nome da má ventura, Que maltrata o Brasileiro, Qual perdida criatura.

Em Constituição Política, Nos paroxismos da morte, O meu testamento faço Por esta maneira e sorte:

Declaro ter quatro filhos, Delegações da Nação, Cujos nomes por extenso Exarados aqui vão.

O Poder Moderador, O Poder Legislativo, O Poder Judiciário, E o Poder Executivo.

Todos deixo por herdeiros; Mas, por prudente cautela, Conservem-se os três primeiros Do quarto sob a tutela.

O Poder Moderador Tome-se um Poder passivo, Verdadeira manivela Do Poder Executivo.

Não se meta a rabequista O Poder Legislativo; Seja moço de recados Do Poder Executivo.

O Poder Judiciário Represente bem ao vivo Vingador d’alta justiça Do Poder Executivo.

Da terça os remanescentes Deixo para quinto herdeiro Bastardo, espúrio poder, O Poder do Reposteiro.

Por espontânea vontade Deixo por testamenteiros Todo o Conselho de Estado, Ou qualquer dos Conselheiros.

E por esta melhor forma Hei por findo o testamento, Que espero seja cumprido Depois do meu passamento.

Feito na Corte do Império De Setembro aos vinte e nove, No duo-de-quinquagésimo Do século dezenove.

A testadora se assina Com letra do próprio punho; Cinco Ministros de Estado Escrevem o testemunho.

O demônio, que escapara Das plantas de São Miguel, Faz as perguntas do estilo, Lavra aprovação fiel.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
TESTAMENTO SOLENE · José Joaquim Correia de Almeida · Poetry Cove