Em nome do triste fado,
Em nome da má ventura,
Que maltrata o Brasileiro,
Qual perdida criatura.
Em Constituição Política,
Nos paroxismos da morte,
O meu testamento faço
Por esta maneira e sorte:
Declaro ter quatro filhos,
Delegações da Nação,
Cujos nomes por extenso
Exarados aqui vão.
O Poder Moderador,
O Poder Legislativo,
O Poder Judiciário,
E o Poder Executivo.
Todos deixo por herdeiros;
Mas, por prudente cautela,
Conservem-se os três primeiros
Do quarto sob a tutela.
O Poder Moderador
Tome-se um Poder passivo,
Verdadeira manivela
Do Poder Executivo.
Não se meta a rabequista
O Poder Legislativo;
Seja moço de recados
Do Poder Executivo.
O Poder Judiciário
Represente bem ao vivo
Vingador d’alta justiça
Do Poder Executivo.
Da terça os remanescentes
Deixo para quinto herdeiro
Bastardo, espúrio poder,
O Poder do Reposteiro.
Por espontânea vontade
Deixo por testamenteiros
Todo o Conselho de Estado,
Ou qualquer dos Conselheiros.
E por esta melhor forma
Hei por findo o testamento,
Que espero seja cumprido
Depois do meu passamento.
Feito na Corte do Império
De Setembro aos vinte e nove,
No duo-de-quinquagésimo
Do século dezenove.
A testadora se assina
Com letra do próprio punho;
Cinco Ministros de Estado
Escrevem o testemunho.
O demônio, que escapara
Das plantas de São Miguel,
Faz as perguntas do estilo,
Lavra aprovação fiel.