É tão severa a lei para o soneto,
que ao bom senso parece grande ultraje
se, poeta plebeu de humilde traje,
em tal dificuldade me intrometo.
É dogma que o sublime poemeto
e nascera e morrera com Bocage,
porém meu estro impávido reage,
e há de triunfar no último terceto.
A coroa honorífica de louro
devo alcançar, se bem que não sou filho
de Apolo, que me oculta seu tesouro.
De maciço valor, de imenso brilho
escrevo aqui um nome (chave de ouro!)
— ANTÔNIO FELICIANO DE CASTILHO. —