Que és tu homem de bem, sincero e honesto,
Das mil bocas do povo tenho ouvido;
Sem provas do contrário, eu não duvido,
E, se alguém te elogia, não contesto.
Entretanto o semblante, o simples gesto
Da vil hipocrisia tem sabido
Fazer que muitas vezes seja tido
O incógnito perverso por modesto.
Pois fique meu juízo assim suspenso,
Que nisto não te causo nenhum dano,
Para o qual nunca fui, nem sou propenso.
E, quando decorrer mais algum ano,
Talvez eu já não pense como penso,
Porque terás mostrado o fio ao pano.