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1820–1905

SONETO

José Joaquim Correia de Almeida

Que és tu homem de bem, sincero e honesto, Das mil bocas do povo tenho ouvido; Sem provas do contrário, eu não duvido, E, se alguém te elogia, não contesto.

Entretanto o semblante, o simples gesto Da vil hipocrisia tem sabido Fazer que muitas vezes seja tido O incógnito perverso por modesto.

Pois fique meu juízo assim suspenso, Que nisto não te causo nenhum dano, Para o qual nunca fui, nem sou propenso. E, quando decorrer mais algum ano,

Talvez eu já não pense como penso, Porque terás mostrado o fio ao pano.

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SONETO · José Joaquim Correia de Almeida · Poetry Cove