Quão probo, quanto honesto e virtuoso
Tal homem é na opinião dos homens!
As cem bocas da Fama o apregoam
Modelo de virtudes e estoicismo!
Respeito lhe tributa o povo crédulo,
Homenagem lhe rende de bom grado
Unânime caterva lisonjeira,
Que o podre incenso ardendo em seus altares
Exalta O nome seu além dos astros.
Aquele, o numerando entre os heróis,
Capataz dos heróis o qualifica:
Aqueloutro eloquente em panegíricos,
Com solene apoteose não contente,
A seus pés quer prostradas as Deidades.
Mas... dizei-me, qual fato caridoso,
Que a lei Divina manda, praticou?
Qual dessas quatorze obras meritórias
Exerceu potentado de tal nome?
Qual desses dez preceitos do Decálago
Sacrílego deixou de quebrantar?
Qual desses sete vícios capitais
Poluto não deixou seu corpo imundo?
Tresloucadas perguntas são pequices
Que a humana opinião tão sabichona
Por desdém não responde, e só despreza.