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1820–1905

PARÁBOLA, OS QUATIS

José Joaquim Correia de Almeida

O quati, bicho daninho, É flagelo da lavoura; Seu voraz, longo focinho Não rejeita a espiga loura.

Percorre, aos bandos, a roça, E come e destrói o milho; Zomba do cão que o acossa, Sabe iludir o gatilho.

Quando o tiro se dispara, Cai a turba vil por terra; Cuida o homem que acertara, Porém nos cálculos erra.

Procura debalde a presa, Que supõe ferida ou morta; Reconhecendo a esperteza Fica então de cara torta.

Há funcionários no Estado Que aos quatis levam as lampas; Contra os tais não há cadeado, E nem ferrolhos, nem tampas.

Esta praga tão nociva Tem a roça no tesouro; De dura goela e gengiva São quatis que comem ouro.

O bando infame penetra Os arsenais, as escolas, As alfândegas et cetra, E reduz o povo a esmolas.

E se o fiscal verdadeiro Faz nestes quatis seu alvo, Do primeiro ao derradeiro Tudo escapa são e salvo.

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