Suponha-se haver um médico
muito instruído e sagaz,
e que, além de sábio, é sempre
feliz naquilo que faz.
Mas este êmulo de Hipócrates
é malcriado, incivil,
e a todos mostra má cara,
ou de chapa ou de perfil.
Suponhamos outro médico
muito afável e cortês,
e que tem sido até hoje
sempre infeliz no que fez.
Qual dos dous procuraríamos
para nos vir socorrer,
se nossa mãe, pai, ou filho,
’stá em termos de morrer?
Aos eleitores políticos
em rumo direito vou,
para pedir que meditem
no símile que lhes dou.
Se o país sofre moléstia,
e temos de procurar
médico para curá-lo,
cure-o quem sabe curar.