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1820–1905

PARÁBOLA, OS MÉDICOS

José Joaquim Correia de Almeida

Suponha-se haver um médico muito instruído e sagaz, e que, além de sábio, é sempre feliz naquilo que faz.

Mas este êmulo de Hipócrates é malcriado, incivil, e a todos mostra má cara, ou de chapa ou de perfil.

Suponhamos outro médico muito afável e cortês, e que tem sido até hoje sempre infeliz no que fez.

Qual dos dous procuraríamos para nos vir socorrer, se nossa mãe, pai, ou filho, ’stá em termos de morrer?

Aos eleitores políticos em rumo direito vou, para pedir que meditem no símile que lhes dou.

Se o país sofre moléstia, e temos de procurar médico para curá-lo, cure-o quem sabe curar.

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